Hoje é uma terça-feira, 29 de maio.
Eu estou muito feliz.
Voltei para casa ouvindo a música no máximo.
Sei que passei por momentos muito tristes. Alguns que duraram tempo demais. Agora posso lembrar de quando eu ficava tão triste… Alias, triste não é a palavra certa. Talvez, nula? Indiferente? Estava tão sem perspectiva que ás vezes pensava que ia morrer. Não morrer de dor, de tristeza, de sofrimento. Pensava que ia chegar um ponto em que tudo estava tão indiferente, viver ou não viver, que talvez meu corpo fosse simplesmente desligar. Este sentimento vinha muito frequentemente, e eu não sentia medo dele. Talvez ficasse um pouco triste por pensar que poderia morrer sem ter conquistado nada, não havia alcançado a felicidade que me prometeram que eu conheceria na vida, principalmente na adolescência.
Agora que este período acabou, as vezes penso em morrer também. Não que eu planeje morrer. Mas a ideia de morrer mudou. Ás vezes me pego muito feliz. Tão feliz que não sei medir. Acho que eu havia alcançado um nível de felicidade e achava que não dava para passar daquilo. Mas tem dias que eu fico tão feliz que encontro uma felicidade até então, desconhecida. Hoje foi um desses dias, e pensei em como era incrível alcançar uma felicidade de nível mais alto do que você já havia experimentado, de vez em quando. É assim que penso na morte. Porque nessas vezes que fico tão feliz que não sei explicar, penso que já valeu a pena viver até agora por isso. Então posso morrer amanhã que tudo bem. Não planejo morrer amanhã, mas se acontecer, beleza. Acredito que vou começar a me soltar do meu corpo e uma música muito boa, que não é conhecida por aqui, vai começar a tocar, e eu vou chegar em algum lugar muito colorido (adoro coisas coloridas), dançando, leve… Vou sentir a sensação de liberdade parecida com aquela de quando você chora de felicidade. E é bem legal pensar que você pode morrer amanhã, porque agora eu posso arriscar muito mais. Eu não tenho mais medo das coisas darem errado. Eu já vi que as coisas podem e em algum momento, provavelmente, vão sim dar muito errado. Mas eu também vi que da mesma forma, elas dão certo de novo, mesmo que mais tarde. Isso me deixa menos ansiosa e mais distante do medo. O medo é um demônio que deve ser exorcizado. Cíntia, uma de minhas professoras de teatro, sempre me dizia que quando a gente sente medo, nós temos que pegar na mão dele e falar “vem comigo, medo!” e arriscar mesmo assim. Quando ela me disse isso, eu achei uma ótima filosofia, mas impossível de sair do papel. E agora entendo.
Não tenho uma conclusão para este texto, provavelmente não me renderia uma vaga em uma boa faculdade ou uma vaga de colunista em alguma revista, mas gostaria de registrar que estou muito feliz. Se eu morrer, espero que ao invés de ir atrás dos meus diários velhos que relatam meu sofrimento, que meus amigos leiam este texto e saibam que está tudo bem. Lembrem de mim assim. Uma pessoa feliz que gosta de coisas coloridas.